Até onde sei...
   
 
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Ator

 

Com a vasta experiência de quem subiu aos palcos pela primeira vez há 30 anos, segurando um coraçãozinho de papelão na quarta fila à esquerda no palco de uma escolinha primária em Santos, posso me considerar um Shakespeare. Mesmo que, desde então, tenha pisado quase nada em um tablado novamente, achei que não seria problema enfrentar um dia na aula de cênicas. O cenário? A sala de aula de uma das principais escolas de Interpretação Dramática, em São Paulo. O figurino? Calça de moletom e camiseta de propaganda das eleições de 89, com o Aureliano Chaves estampado e puído. O grupo? Trinta alunos com cara de coitado. Não coitados, no plural, coitado mesmo. Não demorei a perceber que o coitado era eu.

     Aos cinco minutos de aquecimento, entra o diretor. Um cara cabeludo, de barba, usando óculos escuros. O que parecia ser uma boca embaixo de tudo isso gritou. "Mimetizando as emoções, mimetizando as emoções....agora!". Nem boa noite, nem olá, tampouco um como vão. Aprendi que a coisa no teatro é assim, mimetizar emoções logo de chofre. Só não descobri o que é mimetizar as emoções, mas isso não vem ao caso. Fiz caretas pequenas e mimetizei ao meu modo.

     Logo depois da mimetização coletiva, a roda. Grupo de teatro é que nem carro, moto, bicicleta. Tem que ter roda, senão não rola, literalmente. Sentados lado a lado, todos no chão, formando um círculo (a tal da roda), começa a ação. A ordem é fechar os olhos e, lentamente, deitar. Até aqui, beleza, 100% de aproveitamento. A voz do diretor - ou o que julgo ser - ordena. "Começando pelos pés, até chegar aos cabelos, tudo vai ficando duro como pedra". Alto lá, peraí, dos pés à cabeça, tudo duro? Tudo eu não garanto, não é assim tão fácil, como bem sabem os homens.

     “Agora eu quero que vocês sintam-se como pedras, ajam como pedras, respirem como pedras, vivam como pedras”. Pedras. Respirando, agindo, sentindo, vivendo. Pedras. Parei. Quando a pedra que brotava dentro de mim estava pronta para dizer chega ouço um “isso...assim...saindo...sentindo”. Tamanha profusão de “s” sibilando em meu ouvido me convenceu a ser uma pedra paciente. Abri meus olhos petrificados e só não ri porque embora respire, aja, sinta e viva, esta pedra não fora orientada a gargalhar. Havia três dezenas de pedras com braços, mãos, pescoços, ombros e tudo o mais, paradas pelos cantos da sala. Por alguns segundos ainda pude notar que havia uma pedrinha lourinha bem charmosa no grupo, mas quando teria meu primeiro momento rolling stone...

     “Relaxaaaaaaaaaaaaaa.....” As pedras amoleceram, ou melhor, saímos do “personagem”. O diretor, já sem os óculos, mas ainda com mais barba e cabelo do que qualquer hippie que eu tenha conhecido começa uma explanação sobre a vida dos objetos inanimados. E tome sentimentos em portas, postes, cadeiras, sim, afinal, imagine o que é sentir o peso de alguém sentado sobre suas costas a cada refeição. Vida difícil esta, a das cadeiras. Tudo para que o ator, enfim, possa desvincular o que sente daquilo que aprendeu a sentir (explicar esta frase levaria muito mais linhas do que este escriba tem disponíveis para este texto, portanto, diga ok e pronto).

     Uma hora e meia depois de entrar, o coitado saiu da aula com a impressão de que não seria mais o mesmo. Nunca mais chutei pedras na rua. Há duas semanas, só como em pé. E, quer saber? Paro por aqui. Alguma vez você já imaginou como deve ser doloroso para uma tecla de computador ser pressionada centenas de vezes só para que você possa satisfazer seus desejos de leitor? Coitado deste teclado, tá doendo até em mim.

 

 



Escrito por Antonio Guerreiro às 12h41
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Sem layout e sem vergonha

Tudo continua no verde padrão aqui ao fundo. No topo, nada de mudanças, mas se elas não vêm (e aqui cabe um cantilena de justificativas do tipo troca de designer, excesso de "jobs" - até hoje não entendo o porquê deles não falarem "trabalho", mas fico mesmo com meu perfeccionismo excessivo que teima em achar que algo feio não deve ser lido. Seria como não fazer mais Big Macs enquanto as novas embalagens não estivessem prontas, entende?), vamos nós.

Meu texto seguinte seria sobre a fama. Na verdade, o longo processo de desintoxicação a que alguém acostumado a ser reconhecido passa quando desaparece do vídeo diariamente. Creio que todos sabem ou imaginam o que é ser famoso, não? Paparazzi na porta de casa, a total impossibilidade de cumprir o mais prosaico trajeto sem a ajuda de seguranças, a exposição - consentida ou não - de cada detalhe de sua vida que de privada não tem quase nada mais.

Mas não é sobre este tipo de fama que permeia o imaginário universal que me refiro aqui. Falo de algo que chamo de quase-fama. O quase-lá. O ator com papel secundário na novela, o humorista que faz uma participação regular em programa popular, o repórter de emissora sem muita projeção. Não chegam a ser a modelo que vive de dar entrevistas, estão um patamar acima na escada rolante (que sempre, sempre sobe e desce) do chamado estrelato. Neste caso, do quase-estrelato. Ainda assim, vicia.

Esqueça os paparazzi, os seguranças, as multidões. Sim, como quase-lá você pode passear no shopping. Mas notará que, enquanto passa pelos corredores, há um movimento intenso de pescoços sendo virados dentro das lojas e cutucões e sussurros nos corredores por onde você passa fingindo - e depois de um certo tempo agindo sem fingimento - que nem nota. Poucos são aqueles que vêm te abordar, mas eles existem. Meninas com celulares para tirar fotos (acredito que estes aparelhos ainda sirvam para falar, não sei, preciso pesquisar), adolescentes em grupo transbordando testosterona que gritam seu nome seguido de um ou outro adjetivo não tão próprio para ser ouvido em família, senhoras que te param para dizer o quanto gostam de seu trabalho, enquanto pedem desculpas por não lembrarem qual é mesmo o seu nome.

No dia a dia, há a conta dos restaurantes que, usualmente, desaparece quando o dono do estabelecimento aparece ao final da sua refeição para dizer o tradicional "tá tudo certo" e pede uma foto, as produtoras de moda do Brás e Bom Retiro em São Paulo que te encaminham 30, 40, 50 peças de cada nova coleção de determinadas grifes e as recepções de prédios. Não, mesmo que eles não saibam ao certo como você se chama, você é o cara da televisão. Pronto, não precisa do RG. Ao telefone, suas chamadas são atendidas mais rapidamente, dificilmente uma empresa deixa de acionar o marketing ou sua assessoria de imprensa quando você os procura, mesmo que deixem apenas o cartão e digam que "se precisar...", as pessoas que demoram a responder a um simples pedido de informação nas ruas porque ficam te olhando e sorrindo, buscando na memória associar face a nome ou momento e o atendimento nos drive-thrus que transforma-se em evento em que cinco, seis, sete, oito atendentes se penduram por trás da janelinha com o esperado "é ele? Não, não é! Lógico que é! Quer ver? Como é o nome dele mesmo?" enquanto o seu pedido sai - invariavelmente - errado. Ingressos para shows, convites para finais de semana em hotéis e até a burocrática tarefa de reconhecer uma firma em um documento faz com que o quase-lá veja, em sua própria sala, um representante do cartório com o livro e selos de autenticação acompanhados de um papel em branco onde se pede o "autógrafo para a mãe".

No trabalho, há alguém para buscar água quando você está com sede. Outra pessoa para fazer ligações se você precisa falar com alguém. Há aqueles que te ajudam a se vestir. Outros que estão lá apenas para que tudo esteja como você quer na hora em que você precisar entrar em cena. Está sol? Surge um boné. Algo irá demorar mais que o previsto? Eles esperam por você. Sim, e isto é apenas parte da rotina do quase- famoso.

Dá para sentir falta dos paparazzi, seguranças e multidões? Sem experimentá-los não é possível afirmar, mas sim, é possível e orgânico sentir falta do descrito nos parágrafos acima quando os pescoços já não viram em direção ao corredor no shopping. Quando os cutucões e sussurros ficam por demais rarefeitos. Meninas passam sorrindo ao seu lado, mas não mais para você, carregando seus celulares cada vez mais coloridos e menores. Senhoras ainda te olham por vezes param e perguntam onde você está, embora você esteja ali, na frente delas naquele momento.

Esta passa a ser a pergunta-chave quando o quase-lá vê o lá ficar mais distante: "onde você está?". Sua presença física inexistia até então. O lá, dentro do tubo, sempre foi o grande fomento deste enorme espetáculo de inúmeros papéis a que você convencionou chamar de vida nos últimos anos. Mas é agora que a vida real se apresenta e cobra o saldo de sair de cena por tanto tempo. Onde está o RG? Quanto custa um copinho d´água? Não, ainda não é necessário comprar roupas, há peças demais no closet ainda com as etiquetas grudadas, mas o garçom faz uma brincadeira, diz que te adorava (sim, o verbo agora é conjugado no passado) e apresenta a conta (o que, acredite ou não, te deixa aliviado por saber que, ao menos, pode pagar pelo que come). Mas o alívio trazido por um passeio mais tranquilo logo transforma-se em algo muito próximo da síndrome de abstinência.

E é como disse dois parágrafos acima. É orgânico. Há aqueles que não aceitam e tentam alçar um ou quantos mais degraus da escada rolante abaixo desta fantástica fábrica da quase fama. Viram entrevistados oficiais de todo o qualquer programa. Sempre com um projeto novo que ainda não podem contar, mas que o apresentador à sua frente será "o primeiro a saber". Sempre "estudando propostas". E há os que permanecem resignados no mesmo degrau, sabendo que a escada desce, acompanhando aqueles que sobem no corredor ao seu lado e tentando encontrar algum nexo naquele movimento. Na verdade, buscando entender o motivo e o local (em qual degrau?) em que sua vida deixou de ser a real para transformar-se em uma imagem não de alta ou baixa, mas sem definição.

Torcendo para que a resposta surja antes do movimento da escada ser invertido novamente.



Escrito por Antonio Guerreiro às 00h19
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Daqui a pouco

Não que vá alterar a ordem das coisas ou definir o futuro das espécies ameaçadas de extinção na Amazônia, mas apenas para que fique explicado, este blog volta a ter suas postagens regulares em novo layout a partir do início da semana que vem, ok?

Pronto, agora que você sabe disso, todos os seus problemas estão resolvidos, o céu estará mais azul e as dívidas, pagas.

 

 



Escrito por Antonio Guerreiro às 11h18
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Fato fatal

Ele não merece, mas não deu para segurar. Acabo de ouvir Boris Casoy mandar a seguinte pérola, ao vivo, na Band News FM: "A dengue hemorrágica é uma fatalidade muitas vezes fatal e que pode causar a morte".

Vamos lá: a fatalidade é fatal. OK. E se uma fatalidade fatal é uma doença, o fato é que pode causar a morte. Fatalmente. Ou não.

Não tente entender.



Escrito por Antonio Guerreiro às 18h07
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Sonho de Consumo

Vejo nos jornais a foto em que Gisele Bündchen aparece com corte de cabelo que deixa sua franja caindo sobre a testa. Para ter destaque em ao menos dois dos principais diários do país, chego à óbvia conclusão de que a franja da Gisele rivaliza em importância com o terremoto em São Paulo ou a disputa democrata pela indicação de seu candidado às eleições presidenciais americanas. Nada contra, é preciso ter pão e circo, desde sempre. Mas fico aqui pensando no caminho que estas fotos estampadas nas publicações - sim, é evidente que a franja será onipresente nas revistas semanais - percorrem após serem impressas. Destino certo, sem chance de erro? Salões de beleza.

Pode perguntar a qualquer cabeleireiro. Do mais humilde àqueles que disponibilizam diferentes tipos de aroma para que você possa respirar o ar que quiser em cada cômodo do salão. Não há um só dia em que alguma cliente não entre com uma revista, jornal, recorte ou qualquer folha impressa trazendo a foto de alguma celebridade da moda acompanhada da frase "quero o meu cabelo assim!". E não adianta o profissional explicar que a artista tem o cabelo crespo e a cliente liso ou vice-versa. Quando elas querem, querem. E pronto. Mas não seria ótimo poder fazer o mesmo não com cabelos ou aparência, mas sim, com habilidades e talentos?

Chego a um estabelecimento sóbrio, onde todos me tratam de maneira cortês, cumprimento o proprietário, sou bem acomodado em uma cadeira próxima e aprecio o menu. Em alguns poucos minutos, tenho meu pedido: "Por gentileza, hoje eu quero o talento literário de Gay Talese, a compaixão do Dalai Lama, o carisma de John Kennedy e, só pra encerrar porque hoje estou com um pouquinho de pressa, a inteligência de Einstein. Amanhã eu volto e peço o restante".

Sonho de consumo. Se bem que, com tudo isso, o abdômen do Brad Pitt vir de brinde por milhagem eu não reclamo, não. 

 



Escrito por Antonio Guerreiro às 13h42
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O que ninguém vê

E então você está sentado em frente ao espelho, com o televisor de sempre ligado, um relógio na tela do monitor mostrando quantos minutos faltam para que você passe a ser visto por muitos - sempre muitos - é o que se espera. Mas este dia, em especial, você sabe que os muitos são os últimos. Dá uma olhada nos guarda-roupas já devidamente vazios, checa se deixou a chave da gaveta da bancada na fechadura, agradece com um sorriso a atenção da maquiadora que, excepcionalmente, está calada e quando ela sai, fecha a porta para poder se trocar. A camareira preferiu não vir, apenas ligou perguntando se a roupa estava bem passada e se era aquilo mesmo que você queria. Não, não era, nada naquele dia, naquela noite, estava como você esperava que fosse.

Não muito tempo antes o clima era de expectativa, euforia. O segurança na porta do camarim falava alto, os produtores entravam e saíam, seu diretor passava os detalhes da estréia exaustivamente ("não esquece de chamar o break olhando pro lado e tenta não girar tanto a cadeira nessa hora", ele repete pela décima vez -mesmo assim, é tudo o que você quer ouvir). A porta é aberta, chegam flores da direção, um cartão afetuoso com as palavras de praxe. Sua família está lá. Mais do que isso, é você que está onde queria estar.

Hoje você lentamente se olha por última vez naquele espelho repleto de lâmpadas por todos os lados, finge um sorriso, e sai pelo corredor vazio em direção ao estúdio. O operador de microfone te cumprimenta sem olhar nos seus olhos. A voz é baixa. Seu produtor de estúdio, com as sobrancelhas para cima, passa as fichas que devem ser lidas, também evitando o olhar por mais de alguns segundos. Você passa pela equipe técnica, leva alguns tapinhas nas costas, um ou outro sinal de positivo e coloca o aparelho de ponto no ouvido. O diretor - que há tempos não é o mesmo da estréia - fala três ou quatro brincadeiras na tentativa de acordar o palhaço que vive naquele ator. Faltam 10, 9, 8 e no ar.

Quem assiste, nunca nota. O personagem comparece a contento diante de todos e todas. Ri, anda, corre quando preciso, usa as gags de sempre, e chama o break olhando para o lado, sem balançar a cadeira. O intervalo vem e as luzes do estúdio diminuem, a música some, papéis são entregues, outros devolvidos, chega sua água, alguém te passa um lenço para o suor, mas nada para enxugar o turbilhão que jorra por trás de tamanha represa. Nem haveria como. 5, 4, 3..ar. Mais dois ou três blocos assim e chega a vez do olhar. Não daqueles que fogem do seu, mas do homem por trás do ator para aquilo que chamam de lente, mas que carrega em seu outro lado muito mais que público e índices de audiência. Leva sonhos, história, estudos, vontade e aspirações não dos convidados que costumavam contar - com maior ou menor grau de sinceridade - detalhes de suas vidas naquele palco. Hoje a lente leva tudo de você em um simples tchau, desta vez, sem o tradicional "até a próxima". É a única diferença perceptível a quem assiste. Na semana que vem, nada do seu nome na grade publicada nos jornais, sites e revistas, emails pululando em sua caixa de entrada e você, sabendo que os remetentes somem em alguns dias, nem responderá. Até porque, ainda busque uma resposta.

O último olhar é acompanhado de um gesto qualquer com as mãos. A vinheta já rodou pela última vez, os créditos sobem e você fica parado ali, naquele cenário que ajudou a conceber, que viu ser construído e agora, em menos de 5 minutos começa a ser desmontado e empacotado em grandes pedaços de plástico preto. Os que cruzam contigo te dão um abraço, ensaiam uma ou outra expressão de apoio e incompreensão e você, o mais animado de todos, o personagem, agradece e diz que é assim mesmo.

A porta do camarim está aberta, não há mais segurança. Você nem troca de roupa. Pega sua mochila, caminha até a garagem, entra no carro ainda maquiado, pensa na sua família que não está ali porque você preferiu assim, engata a primeira e sai para ser engolido por uma metrópole que até minutos atrás te consumia.

"Por que" é sempre a pergunta, menos pelo motivo de tudo ter acontecido desta maneira e mais pelo fato de ainda não ter conseguido chorar. É assim que acontece.

 



Escrito por Antonio Guerreiro às 22h45
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Oráculo

Jornalistas, como eu, são especialistas em generalidades. Sabem três minutos sobre tudo e sabem absolutamente nada. Não, não tive a genialidade de tal frase. A autoria é do mestre Otto Lara Resende, que insistia em revisar, revisar e revisar seus textos a ponto de declarar certa vez que um autor não termina um livro, apenas o entrega. Se você não sabe quem foi - e continuará sempre sendo - Otto Lara, largue isso aqui e corra para o Google. Google, ao menos, você sabe quem é. Sim, QUEM é. Já virou celebridade, a maior delas.

Penso em como seria bom ter um Google real, não este virtual e branquinho (licença feita ao belo Google Black) em nossas vidas. Você está parte sentado e meio deitado, em mais uma de suas madrugadas tentando entender o porquê das coisas, quando basta olhar para o lado e Google está ali, pronto para te responder. Você diz "mas será que vai ser assim?" e ele te completa, preenchendo o vazio com dezenas, centenas, milhares de links verborrágicos. Tudo o que você precisava para dormir tranquilo. Alguém para falar por você. Uma entidade real que responde a qualquer dúvida, existencial ou paternalista, psicossomática ou social. Neste caso, quanto mais termos complicados você conseguir encaixar na classificação da sua angústia, maior será o número de resultados alcançados na busca.

Ainda assim, continuo buscando. O Google é meu terapeuta particular.



Escrito por Antonio Guerreiro às 00h06
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Antes do mais

Até onde sei, este é um espaço para escrever sobre o nada e aquele todo que o cerca.

Seja bem vindo.



Escrito por Antonio Guerreiro às 23h44
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